segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Manso



Eu dormi perto do rio Manso; eu podia ouvir o som da sua correnteza. No céu não tinha estrelas, no mato não tinha bicho. Eu encontrei meu canto escondido entre duas árvores de pinus O vento soprava nas folhas, as folhas dançavam no vento. Tudo era calmo, tudo era sereno. Meus pensamentos é que se agitavam em meio ao silêncio. Angústia. Loucura. A solidão alimentando saudades e perguntas sem respostas. “Ela pensa em mim?” Pensamentos vagos, reflexões sem sentido. Podia ouvir as pessoas se aproximando de mim; alguns carros, algumas motos, vindo e indo pela estrada, que me deixavam assustado e eu deixando as pessoas assustadas. Terrores repentinos.
Não sei o que me levava até ali; se minha vontade de fugir do mundo, se minha vontade de me encontrar em meio a um mínimo de sossego, se minha busca pela minha essência espiritual-filosófica - Idiota! - Se minha incansável vontade de achar um lugar onde eu possa ser eu mesmo simplesmente, sem amarras, sem julgamentos alheios e dedos em riste apontados para minha cara.
Noite solitária sem estrelas. Meus braços, minhas mãos, meu coração sem função alguma. Sem ninguém para cuidar. Sem ninguém para dizer “eu te amo”. Sem ninguém para zelar como os pássaros zelando por seus filhos. Sou um homem que queria ter asas para voar até as nuvens, encontrar anjos, ver Deus. Sinto na pele a dor de ser fraco e frágil. Compartilho da dor dos gafanhotos e das cigarras. Sei que sou como eles afinal de contas. Sou como eles e eles são como eu. Pequenos e frágeis que não perdem a vontade de seguir vivendo. A vida é injusta afinal de contas. Aprendi a lidar com isso. Estou me tornando sábio talvez.



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