domingo, 30 de outubro de 2011

Eu quero mostrar que sou feliz
Pra disfarçar a minha infelicidade

Sinto

Sinto que eu poderia morrer, aqui e agora, nesse exato momento.
Sei que morrendo eu morreria infeliz, mas ao menos acabaria aqui e agora todo o meu sofrimento.
Queria partir e dizer a quem eu amo o quanto eu a amo.
Queria partir e dizer a quem eu amo o quanto eu a odeio.
Queria morrer feliz, mas acho que meu fim é aqui.
Aprendi que o ser humano nasceu para ser descontente. A mentalidade humana nunca está satisfeita.
Desisti de ser feliz. Contento-me em não ser infeliz.

domingo, 23 de outubro de 2011

A.A.

Preciso me livrar desse vicio que só me faz mal. Preciso me livrar dessa droga que está matando meu coração. Vou ligar para o A.A.
Quem sabe desabafando e contando minha história fique mais fácil lidar com o problema. Quem sabe escutando outras histórias de vida eu consiga superar o vicio. Pois já estou farto de andar pelas ruas sem destino, tropeçando nas calçadas, chegando tarde em casa. Estou farto de me verem como um mendigo. Esse mundo não compreende minha dor.
Cansei. Sou persistente e posso acabar com esse problema que me aflinge noite e dia. Vou me curar dessa doença e mês que vem meu coração vai estar bom. Vai bater forte outra vez. E eu serei dono de mim mais uma vez.
Vou ligar para o A.A. Com a ajuda dos Apaixonados Anônimos eu irei me curar.

sábado, 22 de outubro de 2011 – 13:22  

Um Beijo Para Chamar De Nosso

A primeira vez que beijei ela, nem ousei dizer o que pensei. De mãos dadas, sentados num banquinho da pracinha, foi ali que trocamos o primeiro beijo. E confesso – achei horrível. Me lembrei do melhor e do pior beijo que eu recebi – e juro, nosso primeiro beijo foi um dos piores.
- Me ferrei – eu pensei.
Nosso amor começou pelo avesso. Nós já nos amávamos antes mesmo de ter trocado um olhar. Então eu sabia que aquele beijo não ia continuar assim pra sempre. Além do mais, eu sabia que se nosso primeiro beijo não tinha sido “aquelas coisas” era mais por culpa minha do que por causa dela – já fazia dois anos e meio que eu não beijava uma boca sequer – eu nem sabia mais o que era um beijo.
Enfim. Só digo que nosso primeiro beijo foi bom porque era o beijo Dela, o beijo da mulher que eu tanto amava. Se fosse de outra seria uma droga; mas era o beijo Dela – então a gente perdoa. E eu tinha a certeza que nem eu nem ela estávamos contentes com aquele beijo. Eu tinha a plena certeza que com o tempo nós dois daríamos nosso jeito. Afinal, com amor nós dois superaríamos qualquer barreira.
E o tempo mostrou que eu tinha razão. Logo aquele beijo sem graça se tornou a mais pura expressão da grande paixão que sentíamos um pelo outro. Era insuperável e imbatível, nenhum beijo tinha chegado – e até agora ainda não chegou - aos pés DAQUELE beijo. O beijo da escada será pra sempre o meu favorito.
Posso dizer que não era o meu beijo ou o beijo dela – aquele beijo era nosso. NOSSO BEIJO. Criado por nós dois! Mas eu reconheço que ela merece levar quase todo o crédito por isso.
Mas o NOSSO BEIJO era assim – feito sob medida. Tudo se encaixava perfeitamente. Meus braços passavam perfeitamente por trás da cintura dela, a altura dela era perfeita para eu poder mexer no cabelo dela enquanto nos beijávamos. Era perfeito, perfeito. Tudo se encaixava. Afinal, era o NOSSO beijo. Patenteado e registrado.
Mas agora que andei testando nosso beijo em outras mulheres eu percebo bem a diferença. Não é a mesma coisa. É estranho. Eu procuro uma perna, um joelho, uma nuca que não está no lugar onde deveria estar. As pernas não se enlaçam direito nas minhas. Meu braço precisa se esticar demais para agarrar a cintura. Já não é a mesma coisa. Não consigo usar o nosso beijo em outra pessoa.

terça-feira, 18 de outubro de 2011 – 02:15

Ainda Sonho Com Ela

Em meus sonhos ela ainda aparece.
Tem dias em que nós ainda nos amamos, às vezes feito animais, às vezes feito santos.
Tem dias em que brigamos, e discutimos, e nos calamos. Então cada um vai pro seu canto até que tudo fique resolvido ou até que o sonho se acabe.
Mas os sonhos sempre acabam. E a realidade é difícil decifrar. Do outro lado do mundo ela vive, e eu nem sei como ela está. Afinal se estamos bem ou se estamos mal, se estamos rindo ou se estamos chorando, eu não sei dizer. Do lado de lá do mundo eu sei pouco quase nada. Nós dois vamos vivendo vidas separadas como até então nunca antes havíamos vivido. Sem cartas, sem recados, sem telefonemas, sem nada. Apenas sonhos.
Assim se resume minha relação com ela. Como se a presença dela em meus sonhos ainda fosse um pedaço de alma Carolinesca que me visita querendo dizer alguma coisa. Será que um dia meus sonhos com ela terminarão?
O fim do amor é coisa triste. O fim dos sonhos é coisa mais triste ainda.

sábado, 22 de outubro de 2011 – 13:09

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Esses dias me peguei lembrando do primeiro filme que assistimos juntos.
Mil e quinhentos quilômetros separando meu corpo do teu, mas nossas almas estavam lado a lado em algum cantinho do céu.
Era um filme sobre um homem espacial, que vivia trabalhando na lua. Ele era sozinho. Na verdade, ele não era completamente sozinho – tinha um computador pensante que era amigo dele. Ele tinha uma amada que morava na Terra, e ele está feliz, pois em breve o trabalho dele na lua vai acabar. Mas ai então um dia ele sofre um acidente. Ele então acorda sem lembrar ao certo o que aconteceu. Depois de algum tempo ele encontra um outro alguém naquela solidão. São idênticos na aparência, porém muito diferentes no pensamento. Passado certo tempo, os dois começam a desconfiar da situação. Descobrem que são clones do antigo homem da lua, e que a cada três anos um deles morre, e outro nasce, e memórias e lembranças pré-programadas são implantadas no novo cérebro. Mas eles ainda buscam o amor. Um se sacrifica para o outro então voltar para a Terra enquanto outro clone nasce e vive sem saber de nada.
Filme confuso, quase surreal. Mas foi nosso primeiro filme juntos, por isso gosto dele como se fosse um filme genial.
Mas passado tanto tempo desde aquele dia, e depois de nós dois termos passado por tudo o que passamos, não tenho dúvidas de dizer que o mais sortudo de nós dois sou eu. Pois eu posso voltar no tempo e trazer você em pensamento pra assistir filme aqui comigo, como posso me transportar pro teu apartamento e ficar assistindo ao filme aí no teu sofá. Você nunca poderá fazer isso, porque não conhece minha cidade, nunca esteve do lado de cá.

domingo, 16 de outubro de 2011 – 18:10

sábado, 22 de outubro de 2011

19:45 Do Dia 21 De Outubro De 2011

Sabe onde estou?
Estou numa lan house com dois sujeitos do meu lado. Só consigo escutar eles digitando algo. Provavelmente conversam com alguém no msn. E eles agora podem escutar eu digitando também. Mas eles nem fazem idéia de que eu escrevo para alguém muito, mas muito longe de mim.
Eles também não sabem da nossa história, nem fazem idéia do que vivemos. Para eles, eu sou apenas mais um sujeito no mundo. Apenas mais um cara preenchendo o vazio da cidade.
Mas eu não estou na mesma lan house que costumo ir. Não. Estou em outra, bem longe de casa. Aqui não tem filmes como na outra lan house, que é uma mistura de video-locadora com lan house. Essa aqui é uma revistaria que tem lan house. E quando cheguei no balcão, as capas das revistas mostravam mulheres nuas e com a bunda de fora. Não me agradou aquelas imagens. Eu já vi a bunda mais bonita do mundo, até apertei nela! Bundas "photoshopadas" não fazem meu estilo.
Eu posso ver carros passando do lado de fora. Eu ouço conversas, eu vejo ciclistas. Eu vejo uma cidade inteira e falta alguma coisa. Falta alguém do meu lado.
Eu passei a semana inteira pensando nela, e no que provavelmente ela tinha escrito no blog dela. Mas eu não consegui entrar na internet a semana inteira, e isso, juro, me aflingia. Pra me acalmar, escutei Led Zeppelin a todo volume, e em minha imaginação eu era o maior e melhor guitarrista do mundo. Mesmo isso não me impedia de pensar nela, e até de sonhar com ela.
Mas agora que li tudo o que ela escreveu, não sei o que sinto. Sou como um zumbi. Nem sei pra onde vou depois que eu sair daqui.
Mas eu precisava escrever tudo isso só pra dizer: eu sinto saudades de ti.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eu Bem que Merecia Uma Facada Por Escrever Algo Tão Tosco



Nem faz uma semana que passou
Num programa de culinária.
Um chefe de cozinha que mostrou
O melhor jeito de se amolar uma boa faca.

Queria ter dado esse conselho
Para a minha antiga namorada.
Pois partir um coração dói muito menos
Quando a faca é afiada.

=P

sexta-feira, 14 de outubro de 2011 – 04:56

Dupla-Personalidade

É tão normal ter dupla personalidade,
E hoje eu compreendo isso tão bem.
Pois já fui espermatozóide morando no saco apertado de meu pai,
E ao mesmo tempo um óvulo morando no ventre da minha mãe também.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011 – 03:15

Tempestade Na Cidade


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Sabe, é que eu gosto de ver a cidade toda sendo pega de surpresa. A tempestade que chega de repente e deixa todas as velhinhas assustadas.
Gosto de ver todo mundo louco, correndo e fugindo da chuva. Gosto de ver a rua molhada, e as luzes vermelhas dos automóveis refletindo no espelho d’água.
Gosto de ver a calçada sendo inundada e do cheiro de terra molhada. Gosto do barulho, gosto da canção. Gosto da explosão de luz do relâmpago, e gosto do estrondo do trovão.
Gosto de ver Deus limpando a cidade. Gosto dessa repentina tempestade.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011 – 05:14

Mais Um Beijo


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A mentalidade humana é uma coisa esquisita. O pensamento é um segredo que ninguém decifra. É algo mágico, imprevisível, surpreendente. Às vezes cruel, terrível, assustador. Se alguém me diz que tem completo controle sobre ele eu desconfio. Pensamento tem vida própria. Meu subconsciente luta á todo momento com meu consciente. Um pensamento dentro do próprio pensamento. Uma voz que sempre sopra baixinho um conselho. Nem sempre conselhos ruins, nem sempre bons conselhos.
Eu conheci uma garota esses dias. Loira, linda, alta. Andamos pela cidade jogando papo pro ar, falando alto pra todo mundo escutar, comendo pizza no meio fio da calçada, comprando chocolates em lojas de conveniência, e bebendo água sem gás da mesma garrafa. Fomos ao teatro de mãos dadas. O impossível parecia estar acontecendo. Meu coração acelerando, meu corpo todo suando. Senti mais uma vez o encanto, novamente apaixonado, e então um novo gosto, um novo beijo.
Então me vejo de olhos fechados. Meus pulmões sendo invadidos pelo perfume dela. Minha cabeça repousando no ombro dela. Meus braços enlaçando o corpo dela. Meus cabelos sendo revirados pelos dedos dela.
E do nada,
Eis que surge a voz desse fantasma;
Meu inconsciente dizendo baixinho,
O nome de uma antiga namorada.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011 – 08:56

26ª Noite


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Sabe quando digo que não me importo de ficar te esperando?
Confesso. Estou mentindo.
Odeio te esperar. Odeio, odeio, odeio.
Não é sempre nem todo dia. Pois quando estamos em casa, só nós dois e mais ninguém, te esperar faz parte da minha alegria. Ver você saindo do banho, com os cabelos ainda molhados, a pele fresca e o corpo limpo, completamente lindo, tudo isso completa minha alegria.
Mas quando estamos no shopping, e eu fico ali parado te esperando enquanto você fica se arrumando e fofocando com sua amiga no banheiro, eu odeio, eu admito que odeio.
Odeio saber que outros casais chegam e vão embora sem saber que eu estou com você. Odeio saber que várias pessoas passam por mim e eu não tenho a minha namorada do meu lado pra mostrar que eu não sou sozinho. Odeio ser visto pela metade, sem minha outra metade junto de mim.
Odeio quando eu fico em casa te esperando e você demora pra chegar. Pois sem você meu dia ainda não começou. Só tua presença meu bem, só tua presença me faz verdadeiramente acordar. Sem teu beijo é como se o sol ainda não tivesse nascido.
Odeio estar em Goiânia sem a tua companhia. Odeio saber que todos estão me vendo sem a minha menininha.

Sol E Chuva

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Sol e chuva, casamento de viúva.
Chuva e sol, casamento de espanhol.
Sempre me lembro desses versos quando vejo chuva e o sol disputando um espaço no céu.
Ah a sensação boa que é ver um dia ensolarado dando lugar a tempestade, e então ver a tempestade se retirando e devolvendo a coroa dourada de luz novamente ao sol.
O arco-íris que surge a seguir me mostra o caminho de tesouros mágicos guardados pelos duendes da minha infância. As montanhas fumegantes enchem o ar com o perfume da floresta; são como chaminés de uma fábrica, mas que exalam esperança ao invés de cuspirem desgraças. Os pássaros agora voltam a preencher o céu, dando o ar da sua graça, exibindo uma incrível gama de cores e de cantos. O sabiá se banhando nas águas rasas de uma poça d’água brotada da chuva; sábio é o sabiá, escolhe as melhores e mais puras águas para se banhar. E tudo agora coberto pelo delicado manto de pérolas. A natureza tomou banho e agora veste seu melhor traje para receber sua majestade O Sol. Tudo brilha, tudo reluz.
E eu sentado na soleira da porta, chá de tília e madeleines. Falta alguém do meu lado para completar tudo isso.
terça-feira, 11 de outubro de 2011 – 12:06

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Eu Busco Uma Explicação

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Às vezes me pergunto como pudemos chegar a esse ponto. Nós que um dia tanto nos amamos, que tanto fizemos juras de amor, hoje vivemos cada um no seu canto, e entre nós já não  existe mais nenhum encanto, e o que sobrou do antigo amor foi um veneno sutil e mortal.
Procurar o sentido do nosso destino na Razão não faz sentido. Procurar na ciência explicações pro fim do nosso amor, jamais!, eu não teria paciência. Não cabe a mim encontrar a fórmula secreta pra transformar amor em ódio e vive-versa. Cabe a mim falar, simplesmente falar.
Acontece que eu sou ariano espontâneo. Acontece que você é uma escorpiana que necessita de vitórias. Acontece com eu sou de Abril, você de Outubro. Acontece que você nasceu “do outro lado do ano”. Eu sou o homem e você é a mulher. Mas eu brincava de casinha com minhas primas enquanto você descia ladeiras com carinhos de rolimã montados pelo teu irmão. Acontece que eu nasci onde faz frio. Acontece que você nasceu onde só faz calor. Acontece que eu vejo montanhas. Acontece que você vê o horizonte infinito. Acontece que eu vejo nuvens cinzentas. Acontece que você vê prédios cinzentos. Acontece que eu já estive tantas vezes no mar. Acontece que você nunca esteve lá. Acontece que eu amo macarrão alho e óleo. Acontece que você odeia macarrão alho e óleo.
Taí a explicação! Nosso amor acabou só por causa do macarrão.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011 – 09:27

Alguém Já Sonhou Que Recebeu Uma Carta?

Hoje sonhei que recebi uma carta, uma carta que nuca receberei. Era a carta da minha antiga namorada, do meu antigo amor goianiensse.
Era grande, do tamanho de um abraço. Venho dentro de um embrulho de papel, lotada de algodão. Tão grande foi o cuidado que Ela teve que foram obrigados a trazer a carta de caminhão.
Dentro dela tantas coisas que eu nem sabia ao certo por onde começar. Peguei um pequeno caderno e comecei a folhear. Frases soltas, sonhos, esperanças, dúvidas, perguntas, devaneios. Frases curtas de no máximo duas linhas, fragmentos de uma mente confusa.
Era uma carta nova que trouxe de volta sensações antigas. Como nos velhos tempos, nas palavras daquela carta me encontrei mais uma vez com ela. Ainda grandemente sonhadora, ainda grandemente esperançosa. Ainda com aquela sensibilidade que desmontava meu eu, que me deixava sem respostas, que fazia meu eu interior se revirar e se contorcer. Ainda com aquela sensibilidade aguçada, que fazia com que eu buscasse ser sempre um ser humano melhor. E eu ainda a invejo, eu ainda a admiro, ela ainda é a dona da maior alma do mundo.
Mas então eu acordo. Não existe carta nenhuma. Não existe sensibilidade nenhuma. Restou um corpo vivo e uma alma...uma alma..não existe alma nenhuma.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 – 08:49

domingo, 9 de outubro de 2011

Um Lugar Onde Eu Possa Ir

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Um lugar onde eu possa ir, e deixar minha alma repousar. Isso me basta para fazer feliz.

Rascunho De Uma Carta Ainda Não Enviada

Faz tempo que não falo com ela. Cada um está vivendo sua vida agora.
Pode parar de dizer que eu ainda amo ela! Nem fica dizendo que “isso passa” e que eu vou esquecer. O fato é que a gente ama mesmo não amando, e acaba lembrando sem querer lembrar.
Sabe, eu vou me lembrar dela até o último dia da minha vida. Não tem como esquecer. Vivíamos num universo muito nosso, criado por nós dois e onde ninguém podia nos tocar. As cartas, os livros, os filmes, os cheiros, nisso se resumia nosso mundo. Não tem como esquecer a felicidade que era receber uma carta dela, não tem como esquecer a cidade dela, o apartamento dela, o beijo dela. Não dá pra esquecer. Mas vivo bem assim. Já não é mais um peso que carrego nas costas.
Se vou amar outra pessoa como amei ela? Não! Todos os romances agora não são levados tão a sério. Como eu te disse uma vez, o meu coração já não pertence a mim. Agora não sinto mais aquele amor que senti por ela. O que sinto pelas outras mulheres agora é mais desejo do que amor. Eu só quero estar perto, ter contato, enlaçar minhas mãos com a mão de uma mulher, assistir filmes juntinhos, dormir de conchinha. É bom, muito bom. Só que não sinto mais a dor da separação.
Começo a achar que é isso o que aconteceu na vida dela. E se eu não corro mais atrás dela, nem ligo pra ela chorando, é porque acredito que ela tem um outro amor, mais antigo, mais encantado. Um homem que ensinou muitas coisas a ela, que transformou ela na mulher que ela é hoje, mas que ela nunca teve a oportunidade de um beijo, de um contato mais intimo. É dele que ela lembra! Sim, é dele!
Por isso parei de ligar, de implorar, de pedir explicações, de querer saber o que aconteceu. Sei que ela sente o mesmo que eu sinto agora. Ela também carrega um antigo amor no coração, um antigo amor que faz acreditar que a gente não é mais capaz de amar. Não tem como vencer antigos amores - digo por experiência própria.
Amar ela como eu amava antes eu não amo. Mas ainda a amo. Mas é melhor deixar a vida seguir seu destino. Cada um faz da vida o que acha que é melhor para si.

P.S. A vida nunca me pareceu tão bela. Sinto no ar uma energia, uma magia, que me faz viver como nunca até então eu nuca tinha vivido. Vivo sentindo que algo especial está acontecendo, mas não sei dizer bem o que é. As pessoas me parecem tão fascinantes, a cidade parece tão bonita. Tenho a sensação de que estou perto do fim, e que não me resta muito tempo de vida. Dizer que devemos viver nossas vidas como se não existisse o amanhã é uma coisa, mas VIVER e SENTIR isso é uma coisa completamente diferente. Não é medo, é alegria. Alegria de ainda estar vivo. Alegria de estar vivendo intensamente.
Não penso na morte, mas estou consciente dela. Viver nunca valeu tanto à pena.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011 – Guaramirim, Santa Catarina

Anjo Amputado

Conheci um cara ontem a noite, nem lembro mais o nome. Era amigo de uma amiga minha. Apareceu do nada, pela noitinha. Não nos falamos muito, mas eu o admirei. Era um poeta, um dos vagabundos iluminados de Jack Kerouac. Nasceu nesta cidade, mas ele é muito diferente das pessoas que moram aqui.
Existia uma alegria na desgraça. Uma alegria ainda maior que a minha, e uma desgraça bem pior que a minha.
Tinha amputado a perna não fazia uma semana, e ria-se e fazia piada da desgraça como se fosse a coisa mais normal do mundo Devia ser um anjo. Um anjo alado que pode voar. Um anjo que sabe que rir é melhor do que chorar. Um homem que perdeu uma perna, mais que sabe que podia ter perdido a vida.
É feliz. É feliz por ainda estar aqui.

domingo, 9 de outubro de 2011 - 12:28 

Estamos Todos Vivos

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Quem não muda nunca de opiniões, de idéias, de sentido, de vontades... já está morto.
Assim disse o poeta.
Mas não se pode mudar tudo. E algumas coisas eu não mudo. Posso estar morto, mas sou dono de uma personalidade. Posso estar morto, mas sou dono de um espirito imutável permanente. Mudar sempre daria no mesmo. Seria morrer a cada instante. Seria matar a alma a cada momento. 
Algumas coisas não se mudam e nem se deve mudar. Algumas opiniões, algumas idéias, algumas vontades devem permanecer sempre as mesmas, intocáveis. Não cabe a mim dizer o que se deve e o que não se deve mudar. Mas é importante que guardamos um pouco da essência. Para que então, ao olhar no espelho, ver que por dentro da imagem refletida existe uma alma transformada, mas que ainda continua sendo a mesma velha alma de sempre. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ela Esqueceu...


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Só esqueceu de dizer que o amor é o que alimenta a alma ...

Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Push Start

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Se eu soubesse pra quem escrever eu escreveria. E se eu soubesse a quem amar, então eu amaria. Mas nem sei se quero mais escrever, nem sei se quero mais amar.
Imaginei-me assistindo filmes com garotas desconhecidas, beijando lábios com gosto de sangue, e vendo a nudez de um corpo que não amo. Quero fugir de mim mesmo, encontrar refugio no corpo de uma mulher. Não importa se é baixa ou se é alta, se loira ou morena, ruiva. Não importa se é gordinha ou magrinha, se é inteligente ou se é burra. Não importa se é negra, branca, amarela, vermelha, azul, verde ou albina. Só quero uma mulher pra estar perto e fazer companhia, pra me livrar dos meus próprios pensamentos e ajudar a esquecer, deixar de viver de lembranças. Não quero amar nem ser amado. O amor virou um jogo onde o que importa é fingir direito. Eu finjo que sou perfeito e finjo que ela é perfeita. Fingimos que acreditamos, vivamos essa mentira descarada. Mês que vem cada um segue seu caminho e tudo bem, sem ressentimento, sem mágoas, sem choro. Nós dois sabíamos que tudo isso era um jogo, e no final das contas foi divertido. Sim!, nós dois nos divertimos por um mês.
O problema é que estou confuso e incerto de mim. Ver o amor se tornando um jogo não é o que eu quero pra mim.

Identidade

Minha identidade não gosto de mostrar pra ninguém. Não sei, mas é que não me sinto bem. Aquela foto 3x4 tirada há 10 anos atrás já não tem nada de mim. O rosto ainda pode ser o mesmo, contando agora com o cabelo comprido e alguns sinais de envelhecimento. Mas o meu interior...o meu interior está tão diferente! Eu até posso ter o mesmo corpo, mas não podem dizer que sou o mesmo. Tanta coisa aconteceu nesses últimos anos, tantas coisas que eu não previa. Minha vida tomou um rumo totalmente diferente daquela que eu esperava. Os sonhos que eu sonho hoje são muito diferentes dos sonhos que eu sonhei naquele dia. Há dez anos atrás eu tinha uma idéia de amor, hoje estou tão desiludido e confuso que do amor não sei mais nada.
Minha identidade já passou da validade. A data de nascimento é a mesma, o R.G é o mesmo. Mas já vou dizendo agora: devolva logo a minha identidade, porque esse cara ai da foto não sou eu!