A primeira vez que beijei ela, nem ousei dizer o que pensei. De mãos dadas, sentados num banquinho da pracinha, foi ali que trocamos o primeiro beijo. E confesso – achei horrível. Me lembrei do melhor e do pior beijo que eu recebi – e juro, nosso primeiro beijo foi um dos piores.
- Me ferrei – eu pensei.
Nosso amor começou pelo avesso. Nós já nos amávamos antes mesmo de ter trocado um olhar. Então eu sabia que aquele beijo não ia continuar assim pra sempre. Além do mais, eu sabia que se nosso primeiro beijo não tinha sido “aquelas coisas” era mais por culpa minha do que por causa dela – já fazia dois anos e meio que eu não beijava uma boca sequer – eu nem sabia mais o que era um beijo.
Enfim. Só digo que nosso primeiro beijo foi bom porque era o beijo Dela, o beijo da mulher que eu tanto amava. Se fosse de outra seria uma droga; mas era o beijo Dela – então a gente perdoa. E eu tinha a certeza que nem eu nem ela estávamos contentes com aquele beijo. Eu tinha a plena certeza que com o tempo nós dois daríamos nosso jeito. Afinal, com amor nós dois superaríamos qualquer barreira.
E o tempo mostrou que eu tinha razão. Logo aquele beijo sem graça se tornou a mais pura expressão da grande paixão que sentíamos um pelo outro. Era insuperável e imbatível, nenhum beijo tinha chegado – e até agora ainda não chegou - aos pés DAQUELE beijo. O beijo da escada será pra sempre o meu favorito.
Posso dizer que não era o meu beijo ou o beijo dela – aquele beijo era nosso. NOSSO BEIJO. Criado por nós dois! Mas eu reconheço que ela merece levar quase todo o crédito por isso.
Mas o NOSSO BEIJO era assim – feito sob medida. Tudo se encaixava perfeitamente. Meus braços passavam perfeitamente por trás da cintura dela, a altura dela era perfeita para eu poder mexer no cabelo dela enquanto nos beijávamos. Era perfeito, perfeito. Tudo se encaixava. Afinal, era o NOSSO beijo. Patenteado e registrado.
Mas agora que andei testando nosso beijo em outras mulheres eu percebo bem a diferença. Não é a mesma coisa. É estranho. Eu procuro uma perna, um joelho, uma nuca que não está no lugar onde deveria estar. As pernas não se enlaçam direito nas minhas. Meu braço precisa se esticar demais para agarrar a cintura. Já não é a mesma coisa. Não consigo usar o nosso beijo em outra pessoa.
terça-feira, 18 de outubro de 2011 – 02:15
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