quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TEXTO 15

Eu não sei começar histórias. Ninguém me ensinou a começa-las. Na escola aprendi a ler e a escrever, a somar e subtrair, multiplicar e dividir. Mas ensinar a viver é outra história que não nos ensinam os livros. Porque viver é demasiadamente complicado. Estamos todos aprendendo, é verdade! E os que mais vivem são os que menos pensam a respeito dela – estão sempre ocupados demais em viver. As crianças, os pássaros, os loucos. Vivem porque não se matam de dúvidas. Vivem porque não procuram respostas. Vivem. Porque viver é demasiadamente simples.

TEXTO 14

Nunca fui bom em começar história. Sinceramente, nunca fui bom em começar coisa alguma. Sempre, sempre me perco nas palavras. Do que adianta ser forte e não ter amor? Do que adianta ser sábio e não ser feliz? Ter olhos e só ver sangue; ter ouvidos e só ouvir insultos. Se eu falo, só digo bobagens. Sempre, sempre me perco nas palavras. Esta chama que arde em meu coração é a cruz que carrego todos os dias. A dor, a fadiga; coisas que passam quando me afasto do mundo. Mas que voltam. Tem que voltar!
A vida é bem mais do que sonhos e desilusões. Se é na sombra da noite que não acho mais meu caminho, é nela também que brotam meus sonhos. Vida. É sempre mais do que dela podemos esperar. Deus. Qual é o lugar mais longe que tua mente consegue te levar? Não é preciso asas para voar. Vá além. Liberte-se. Ame, brigue, erre, perdoe. Deixe-se guiar pelo teu coração. A vida! Eu me perco nas palavras. O que o coração sente de verdade não pode ser descrito. Apenas viva e sinta. Siga teu destino. Volte para mim algum dia. Te amo. Adeus.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

TEXTO 13

03:45. E eu pensando nela. Ela não me sai do pensamento. Foi assim desde que a vi. E agora já não consigo dormir direito. No silêncio da madrugada, o tic-tac do relógio, o barulho de alguns poucos carros à passar na rua. E ela dormindo agora, sozinha com outro cara, em outro canto em outra áurea. Penso nela. Sei da existência dela, mas não a conheço. E ela precisa me conhecer, precisa! E eu preciso conhecer ela. Saber que ela existe não me basta. Preciso viver. E que seja com ela então – nem que seja apenas por um dia, uma hora, um minuto. Não! Um minuto é muito pouco. Enfim... Fosse o tempo que fosse, eu agradeceria, estaria satisfeito. Mas agora, agora é só essa felicidade misturada com tristeza. De modo que não sei dizer – se me alegro em saber dela, ou se me lamento por não esquecê-la.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

TEXTO 12

Acho que não gosto de você. Acho que não te amo - eu disse (como se nunca pudesse vir a ama-la)
Não diz isso, por favor! Eu te amo! - ela disse (pensando que esse amor nunca fosse acabar)
Eu sei, eu sei. Mas é que tem tanta coisa acontecendo - eu disse (como se essas coisas fossem durar para sempre)
Mas me fale, me conte! Eu posso te ajudar! - ela disse (achando que morreria se eu nunca mais falasse com ela)
Por favor. Preciso de um tempo - eu disse (pensando que ela estaria a minha disposição assim que quisesse)
Não, por favor! Não vai embora! - ela disse (não imaginando o quanto ficaria bem depois de alguns meses)
Eu preciso, eu preciso ir. - eu disse (não imaginando sequer que eu fosse me arrepender algum dia por isso)

E eu fui embora (pensando que poderia voltar)

E ela chorou (sem imaginar que seria feliz)
E eu me senti em paz (sem imaginar que depois eu perceberia que a amava, de verdade. E que quando pedi para voltar, ela já não queria saber de mim. E eu me desesperei, fiquei louco. Me suicidei - [pensando que ela se sentiria culpada - sem imaginar que ela fosse sentir pena de mim] )

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEXTO 11


Vou comprar um barco. Ver o sol nascer a cada dia em um porto diferente. Estender as velas e me retirar para o meio do Atlântico. Perder-me no mundo. Abaixo de mim, o oceano imenso; acima, o céu infinito. Farei do mar o meu quintal e das estrelas farei telhado. Vou encontrar uma ilha onde eu possa construir o meu império solitário.
Vou comprar um barco. Vou deixar que as ondas embalem meu sono; deixar que a maresia acarinhe meu cabelo. Vou viver pescando sonhos, e vendendo esperanças.

sábado, 17 de novembro de 2012

TEXTO 10 - 17 DE NOVEMBRO

Eu sabia que não era boa ideia, mesmo assim eu insisti. Já sabia muito de mim mesmo, e sabia que aquele não era lugar pra mim. Mesmo assim, eu insisti. Mas, é compreensível. Pois, estando apaixonado, eu tenho disso. Faço errado pensando fazer certo. Só depois é que percebo! Maldito. É claro que me vi onde não é era o meu lugar. Que me vi cercado de gente desconhecida. Estava fora de meu habitat.
Mas não me censurei. Pois a vida, pra ser bem vivida, precisa mesmo dessas loucuras. Mesmo que depois se lamentando. Ah! eu busquei tanto uma vida perfeita e a perfeição não aconteceu! Agora me deixo errar, na esperança de aprender justamente com meus erros.
Estávamos eu e ela no mesmo espaço então. Mesmo tão perto, ela me parecia tão distante! Meus olhos procuravam os olhos dela e não os encontravam. Talvez ela não tenha percebido, mas meus olhos gritavam o nome dela. Vi ela cercada de homens, como assim eu havia premeditado. A fumaça do cigarro! Se eu tivesse mais coragem, se eu fosse mais dono de mim, teria partido naquele momento. Talvez não fossem coragens que me faltavam, e sim, esperanças que me sobravam. E eu esperei, e esperei até o final. Meu sangue agora era só saudade, raiva e desespero. Ela disse – tchau, ainda nos falamos. E assim como entrei, assim me vi saindo. Só que pior.

TEXTO 08 - QUERO

Quero viver os dias mais felizes;
Quero viver todas as aventuras.
Quero ir ainda mais longe do já fui,
E voltar com mais histórias do que já contei.
Quero sentir um vento forte;
Quero sentir um fogo feroz.
Quero voar, mesmo que imóvel;
Quero sonhar, antes que seja tarde.
Quero sentir de tudo e mais um pouco ...
                                                      ... ao teu lado.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

TEXTO 07


Pois então. Aqui me encontro escrevendo-te sob o restante de luz de um belo dia.
Não sei o que senti. Mas o que senti foi suficientemente forte para que me pusesse a escrever.
Sei de mim muito menos que sei do mundo. Reparei-me.
No diálogo, tentando passar ares de sábio e de nobreza, me tropeço nas palavras, e a impressão que causei foi bem mais a de um pobre diabo.
Sendo assim, vi que não tenho espaço na sociedade, e que meu lugar é longe das pessoas. Minha alma solitária não combina com o alvoroço das cidades, e embora sinta prazer em por elas caminhar, me sinto vaidoso em cada gesto, em cada passo, em cada olhar.
Sonho com um lugar ao longe, onde eu possa ter uma vida simples e pastoril. Lá, construir morada, e nela passar o restante de meus dias. Sem esposa, nem vizinhos, infligiria a mim mesmo esse castigo; o preço de não saber viver em sociedade.
Nas minhas tardes, nada faria além de ver o sol se pôr, contemplar as águas do regato e escrever singelos versos de contemplação a natureza. Passaria minhas noites ao lado do fogão a lenha, alimentando as chamas de meus pensamentos com leituras muito prazerosas de outros homens, de outras épocas, de distantes paisagens.
No meu pátio, um pomar de macieiras cultivaria. Dele tiraria meu sustento, pouco, mas suficiente para sustentar minhas poucas ambições. Nele empregaria toda a minha devoção, cuidaria com todos os caprichos. Os pássaros nele fariam morada, e todas as pequenas criaturas fariam dele o paraíso.
Nunca mais saberiam de mim, nem o lugar para onde fui. Não teriam noticias minhas. Minha presença nesse mundo logo seria esquecida, e eu não deixaria lembranças junto às futuras gerações. Viveria com pouco, e com nada morreria, igualmente foi em meu nascimento.
Basta de TV, de baixaria no rádio, das más noticias nos jornais. Não mais quero saber do mundo e nem pretendo que o mundo saiba de mim. Quem sabe, se verdadeiro, meus sentimentos toquem a alma de alguém; mas não creio que minhas inspirações criem raízes em uma sociedade tão artificial.
Assim, renego qualquer possibilidade de fama e de fortuna. Se vierem – bom; se não vierem – melhor.