quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TEXTO 15

Eu não sei começar histórias. Ninguém me ensinou a começa-las. Na escola aprendi a ler e a escrever, a somar e subtrair, multiplicar e dividir. Mas ensinar a viver é outra história que não nos ensinam os livros. Porque viver é demasiadamente complicado. Estamos todos aprendendo, é verdade! E os que mais vivem são os que menos pensam a respeito dela – estão sempre ocupados demais em viver. As crianças, os pássaros, os loucos. Vivem porque não se matam de dúvidas. Vivem porque não procuram respostas. Vivem. Porque viver é demasiadamente simples.

TEXTO 14

Nunca fui bom em começar história. Sinceramente, nunca fui bom em começar coisa alguma. Sempre, sempre me perco nas palavras. Do que adianta ser forte e não ter amor? Do que adianta ser sábio e não ser feliz? Ter olhos e só ver sangue; ter ouvidos e só ouvir insultos. Se eu falo, só digo bobagens. Sempre, sempre me perco nas palavras. Esta chama que arde em meu coração é a cruz que carrego todos os dias. A dor, a fadiga; coisas que passam quando me afasto do mundo. Mas que voltam. Tem que voltar!
A vida é bem mais do que sonhos e desilusões. Se é na sombra da noite que não acho mais meu caminho, é nela também que brotam meus sonhos. Vida. É sempre mais do que dela podemos esperar. Deus. Qual é o lugar mais longe que tua mente consegue te levar? Não é preciso asas para voar. Vá além. Liberte-se. Ame, brigue, erre, perdoe. Deixe-se guiar pelo teu coração. A vida! Eu me perco nas palavras. O que o coração sente de verdade não pode ser descrito. Apenas viva e sinta. Siga teu destino. Volte para mim algum dia. Te amo. Adeus.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

TEXTO 13

03:45. E eu pensando nela. Ela não me sai do pensamento. Foi assim desde que a vi. E agora já não consigo dormir direito. No silêncio da madrugada, o tic-tac do relógio, o barulho de alguns poucos carros à passar na rua. E ela dormindo agora, sozinha com outro cara, em outro canto em outra áurea. Penso nela. Sei da existência dela, mas não a conheço. E ela precisa me conhecer, precisa! E eu preciso conhecer ela. Saber que ela existe não me basta. Preciso viver. E que seja com ela então – nem que seja apenas por um dia, uma hora, um minuto. Não! Um minuto é muito pouco. Enfim... Fosse o tempo que fosse, eu agradeceria, estaria satisfeito. Mas agora, agora é só essa felicidade misturada com tristeza. De modo que não sei dizer – se me alegro em saber dela, ou se me lamento por não esquecê-la.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

TEXTO 12

Acho que não gosto de você. Acho que não te amo - eu disse (como se nunca pudesse vir a ama-la)
Não diz isso, por favor! Eu te amo! - ela disse (pensando que esse amor nunca fosse acabar)
Eu sei, eu sei. Mas é que tem tanta coisa acontecendo - eu disse (como se essas coisas fossem durar para sempre)
Mas me fale, me conte! Eu posso te ajudar! - ela disse (achando que morreria se eu nunca mais falasse com ela)
Por favor. Preciso de um tempo - eu disse (pensando que ela estaria a minha disposição assim que quisesse)
Não, por favor! Não vai embora! - ela disse (não imaginando o quanto ficaria bem depois de alguns meses)
Eu preciso, eu preciso ir. - eu disse (não imaginando sequer que eu fosse me arrepender algum dia por isso)

E eu fui embora (pensando que poderia voltar)

E ela chorou (sem imaginar que seria feliz)
E eu me senti em paz (sem imaginar que depois eu perceberia que a amava, de verdade. E que quando pedi para voltar, ela já não queria saber de mim. E eu me desesperei, fiquei louco. Me suicidei - [pensando que ela se sentiria culpada - sem imaginar que ela fosse sentir pena de mim] )

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEXTO 11


Vou comprar um barco. Ver o sol nascer a cada dia em um porto diferente. Estender as velas e me retirar para o meio do Atlântico. Perder-me no mundo. Abaixo de mim, o oceano imenso; acima, o céu infinito. Farei do mar o meu quintal e das estrelas farei telhado. Vou encontrar uma ilha onde eu possa construir o meu império solitário.
Vou comprar um barco. Vou deixar que as ondas embalem meu sono; deixar que a maresia acarinhe meu cabelo. Vou viver pescando sonhos, e vendendo esperanças.

sábado, 17 de novembro de 2012

TEXTO 10 - 17 DE NOVEMBRO

Eu sabia que não era boa ideia, mesmo assim eu insisti. Já sabia muito de mim mesmo, e sabia que aquele não era lugar pra mim. Mesmo assim, eu insisti. Mas, é compreensível. Pois, estando apaixonado, eu tenho disso. Faço errado pensando fazer certo. Só depois é que percebo! Maldito. É claro que me vi onde não é era o meu lugar. Que me vi cercado de gente desconhecida. Estava fora de meu habitat.
Mas não me censurei. Pois a vida, pra ser bem vivida, precisa mesmo dessas loucuras. Mesmo que depois se lamentando. Ah! eu busquei tanto uma vida perfeita e a perfeição não aconteceu! Agora me deixo errar, na esperança de aprender justamente com meus erros.
Estávamos eu e ela no mesmo espaço então. Mesmo tão perto, ela me parecia tão distante! Meus olhos procuravam os olhos dela e não os encontravam. Talvez ela não tenha percebido, mas meus olhos gritavam o nome dela. Vi ela cercada de homens, como assim eu havia premeditado. A fumaça do cigarro! Se eu tivesse mais coragem, se eu fosse mais dono de mim, teria partido naquele momento. Talvez não fossem coragens que me faltavam, e sim, esperanças que me sobravam. E eu esperei, e esperei até o final. Meu sangue agora era só saudade, raiva e desespero. Ela disse – tchau, ainda nos falamos. E assim como entrei, assim me vi saindo. Só que pior.

TEXTO 08 - QUERO

Quero viver os dias mais felizes;
Quero viver todas as aventuras.
Quero ir ainda mais longe do já fui,
E voltar com mais histórias do que já contei.
Quero sentir um vento forte;
Quero sentir um fogo feroz.
Quero voar, mesmo que imóvel;
Quero sonhar, antes que seja tarde.
Quero sentir de tudo e mais um pouco ...
                                                      ... ao teu lado.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

TEXTO 07


Pois então. Aqui me encontro escrevendo-te sob o restante de luz de um belo dia.
Não sei o que senti. Mas o que senti foi suficientemente forte para que me pusesse a escrever.
Sei de mim muito menos que sei do mundo. Reparei-me.
No diálogo, tentando passar ares de sábio e de nobreza, me tropeço nas palavras, e a impressão que causei foi bem mais a de um pobre diabo.
Sendo assim, vi que não tenho espaço na sociedade, e que meu lugar é longe das pessoas. Minha alma solitária não combina com o alvoroço das cidades, e embora sinta prazer em por elas caminhar, me sinto vaidoso em cada gesto, em cada passo, em cada olhar.
Sonho com um lugar ao longe, onde eu possa ter uma vida simples e pastoril. Lá, construir morada, e nela passar o restante de meus dias. Sem esposa, nem vizinhos, infligiria a mim mesmo esse castigo; o preço de não saber viver em sociedade.
Nas minhas tardes, nada faria além de ver o sol se pôr, contemplar as águas do regato e escrever singelos versos de contemplação a natureza. Passaria minhas noites ao lado do fogão a lenha, alimentando as chamas de meus pensamentos com leituras muito prazerosas de outros homens, de outras épocas, de distantes paisagens.
No meu pátio, um pomar de macieiras cultivaria. Dele tiraria meu sustento, pouco, mas suficiente para sustentar minhas poucas ambições. Nele empregaria toda a minha devoção, cuidaria com todos os caprichos. Os pássaros nele fariam morada, e todas as pequenas criaturas fariam dele o paraíso.
Nunca mais saberiam de mim, nem o lugar para onde fui. Não teriam noticias minhas. Minha presença nesse mundo logo seria esquecida, e eu não deixaria lembranças junto às futuras gerações. Viveria com pouco, e com nada morreria, igualmente foi em meu nascimento.
Basta de TV, de baixaria no rádio, das más noticias nos jornais. Não mais quero saber do mundo e nem pretendo que o mundo saiba de mim. Quem sabe, se verdadeiro, meus sentimentos toquem a alma de alguém; mas não creio que minhas inspirações criem raízes em uma sociedade tão artificial.
Assim, renego qualquer possibilidade de fama e de fortuna. Se vierem – bom; se não vierem – melhor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

VÍDEO 01

Um vídeo simples, curto, mas que fiz de coração.

27 de Outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

TEXTO 05

Faz dias que me perco de mim mesmo, que ando com a cabeça nas nuvens e o pensamento longe. Nem vejo mais os rostos na rua, estou sempre olhando pro céu. O céu, o céu. Por aqui, sempre cinzento fechado nublado. Não faz sol, mas também não faz chuva. Queria que o céu não andasse tão confuso como eu.
Busquei outros caminhos, novos horizontes se estenderam ao meu olhar. O novo sempre nos encanta, sempre! e eu sei que a busca é incansável e nunca chega ao fim.
Essa vontade de estar em outras terras, eu não sei, eu não sei. Talvez seja uma fuga, mas fugir do que eu não sei bem. Talvez não tenha me encontrado, encontrado minha alma. Porque, eu sei, não é novo céu e nova terra que eu preciso pra ser feliz. Felicidade é de dentro pra fora. Ser feliz hoje pra ser feliz sempre. 

Nada é capaz de trazer felicidade. Nem mesmo o céu, nem mesmo o amor. Felicidade é algo que nasce da gente, quando a gente aceita ser feliz. Do contrário tudo é motivo para tristeza e frustração. Eu sei. Eu vivi. Eu não queria ser feliz, sim, foi isso, eu não queria.
Não reparo mais os dias. Os minutos se arrastam. Vivo a todo instante a eternidade. O mesmo dia todos os dias. Passam os rostos, ficam as lembranças, vão-se as estradas, permanecem as histórias, hoje chove para amanhã o sol brilhar. Ando perdido dentro de mim mesmo, em meus próprios pensamentos, sem saber se o que eu penso é verdade ou ilusão. E eu não queria estar tão confuso como o céu

domingo, 7 de outubro de 2012

TEXTO 04

Acima das nuvens o sol ainda brilha contente. E os pássaros, mesmo sem saber contar os dias, voam pomposos como se fossem eternos. O rio nunca para. Todas as águas correm em direção ao mar. 
Saiba que eu não sei porque estou aqui, e que tudo o que eu sonhei um dia morre hoje para renascer amanhã. Todos os dias são iguais, nada a de novo debaixo do sol.
O mato que ainda espera as águas caírem do céu, e as árvore que por séculos perduram, e que tudo sabem, e que tudo viram. O vento sopra rumo ao oeste, as copas das árvores dançam de alegria. A sombra toca o chão. O árvore se circula de paz. É lá que os pássaros constroem seus ninhos, é lá onde onde o homem repousa da lida diária.
As nuvens insistem em ficar lá no céu. Montanhas anseiam toca-las. Deuses habitam os lugares mais altos. Do alto tudo contemplam, e do alto são contemplados.

Para além do caminho meus pés me levaram. Passos trilhados na lama eu deixei. Meus olhos viram mas eu não quis enxergar. Meus ouvidos ouviram mas eu não quis escutar.
Eu fui, eu voltei. Agora digo sozinho: eu já estive lá.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

TEXTO 3

Não tinha mais nada para fazer então resolveu coçar o saco, assim, descaradamente, na frente das crianças e das velhinhas. Levantou-se em meio a multidão, soltou um grunhido feroz e pôs-se a correr atrás de alguma coisa que nem ele mesmo sabia. Pulou um portão, bateu o pé na calçada e deu de cara com o chão. Sujo e esfarrapado, entregou-se de joelhos a morte. Não demorou muito para que uma multidão se aglomerasse à sua volta e se perguntassem sobre o que diabos ele estava fazendo afinal. Nada sabiam e nada saberiam durante vinte e cinco anos então. Mas nada explica ao certo a insanidade de um homem que pula o muro, bate o pé na calçada e dá de cara com o chão e morre assim sem motivo. Destino? Alguns dizem que sim. Eu, particularmente, não acredito em nada disso. Para falar a verdade nem sei sobre o que estou falando. Simplesmente achei que seria divertido escrever um texto sem sentido.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

FOTO 2


Paisagem rural de Joinville.
18 de Agosto de 2012

Uma pena que do lado direito, uma casa mais "moderna" foi construída, arruinando a paisagem bucólica. Queria fazer a foto ainda mais aberta, mas como a casa não combinava com o cenário, contentei-me com isso.

TEXTO 2

Palas
Será que tenho em mim alguma pureza? Será que em minhas veias corre algum vestigio de nobreza? Em minha fronte trago algum resquicio de sabedoria grega?
Teus tão estimados guerreiros cairam por terra. Ninguém quer saber de odisséias. Não enfrenta cada um seus próprios demônios?
O que move o homem Palas? Os Deuses ou o Amor?
Palas! Que os Deuses ouçam os suspiros. A tantos suspiros por aí! Não seria cada um deles um pedido de ajuda?
Tenho em mim coragem suficiente para entrar na guerra, mas não a força e a destreza para vence-la.
Quero, Palas, vida. Vida para ser vivida. Minhas mãos não foram feitas para a espada. Mas minha alma está em constante batalha.
Livre-me das Batalhas Palas. Quero viver!

FOTO 1


Um bonito pôr-do-sol em São Francisco Do Sul.
 30 de Junho de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

TEXTO 1

Mãe

Mãe.
Eu vou sair desse lugar,
Vou me embora pra bem longe,
Pois aqui já não posso mais ficar.
Mas não se preocupe
Mãe,
Eu voltarei
Um dia.
Só me vou
Pois encontrei alguém,
Uma mulher,
Que chama e pede meu nome.
E eu,
Mãe,
Preciso ir.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Como Explicar?

Eu não teria motivos para escrever, afinal, pra quem eu escrevo?
Não queria fazer de meus sentimentos - e dos meus pensamentos - algo público. Não me importa o que acham os outros. Afinal, só quero saber de uma opinião, e essa me basta.
Mas hoje, falei com ela.
E apesar de ontem ter sido um péssimo dia, no geral, os últimos dias foram os melhores.
Nem lembro mais como se escreve. Nem sei mais como se colocam sentimentos no papel. Nem sei mais tanta coisa. Mas basta deixar aqui um breve recado, a mim mesmo quem sabe daqui a alguns anos.
Basta saber que esses últimos dias estão sendo maravilhosos, e que hoje, hoje, falei com ela.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Josias

Oi

Os felizes que me perdoem, mas eu sou uma criatura triste por natureza. É melancolia perdida em meio a melodias e poesias que flutuam em meio aos meus pensamentos. Enfim ... quem se importa com os tristes?
Sábado, 28 de Abril, choveu forte aqui em Guaramirim. E no calor do recinto, passei minha noite assistindo a uma boa sequência de filmes. Primeiro 'Três Homens Em Conflito'. Depois foi a vez do diretor francês Krzysztof Kieslowski: ‘A Liberdade É Branca’ e, na seqüência, ‘A Fraternidade É Vermelha’, que na verdade assisti nessa manhã gelada de domingo.
À tarde, saí de casa com a clara intenção de fotografar gente na cidade, mas não queria a agitação do calçadão de Jaraguá do Sul. Queria flagrar o que se passa nos arredores, nas ruas que permanecem inexploradas. Queria crianças brincando na rua, mas, andando e observando, me veio à mente o pensamento - onde tem muro, não tem criança brincando na rua.
Andando pelas ruas desertas, sozinho, eu me perdia em mim mesmo. No pensamento vagavam pensamentos efêmeros, cenas dos filmes, a voz da Adriana Calcanhoto cantando “onde será que você está agora” e os primeiros versos da ‘Odisséia’, de Homero. Enquanto eu caminhava pelo Centro de Jaraguá do Sul a procura de alguma cena interessante, eu ruminava esses versos:

”O homem multiversátil, Musa, canta, as muitas errâncias, destruída Tróia, pólis sacra, as muitas urbes que mirou e mentes de homens que escrutinou, ... “

... e não me lembrava mais como o verso continuava.

Não encontrei a situação que eu desejava. Decidi ir para o Centro de Guaramirim então. Antes de partir, pessoas se aglomeravam frente ao Museu M. Emilio da Silva. Mas não me interessou muito. Mas ficou a dúvida. Alguém dos meus conhecidos sabe o que estava acontecendo por lá?

Já em Guaramirim, encontrei um grupo de amigos caninos.



 Gosto de fotografar os animais na rua. Os cães em particular sempre andam em grupo. Como os seres humanos, eles também preferem o convivo com os amigos.


Caminhando, cheguei até uma casa bem humilde. Lá, os felinos e o cão posaram para mim.



 Shakiro, o cão que, segundo o dono, gostava de assistir a uma novela chamada Shakira.


Pedi ao homem que morava na casa se os gatos e o cão pertenciam a ele e ele respondeu que sim. Fiquei ali, conversando com ele. Em poucos minutos, eu tive a oportunidade de conhecer um pouco da história do Josias.
Imigrante do Paraná, o Josias chegou em Guaramirim faz oito anos. Há oito ele anos mora na mesma casa humilde, pagando aluguel. Ele me disse que é trabalhador autônomo e que o que ganha dá para pagar o aluguel e para comprar o alimento para a família. Atualmente paga 400 reais de aluguel. Ele me convidou a entrar e conhecer a casa. Eu aceitei o convite, muito honrado.
A esposa do Josias está passando por dificuldades. Passou por uma gravidez de risco. O bebê nasceu no sétimo mês de gestação. E a mãe só sobreviveu graças aos médicos, mas ela, infelizmente, não saiu ilesa, e hoje sofre com inúmeras seqüelas da gravidez.
Na casa simples, e passando por dificuldades, o Josias não perde a esperança, e ainda agradece por ter o mais importante: a vida. E mesmo com problemas financeiros, ele me ofereceu pão e café quentinho; e ainda, sem se dar conta, me ensinou uma valiosa lição.
E como continuava Homero, naquele verso que eu não lembrava como terminava:

”... as muitas dores amargadas no mar a fim de preservar o próprio alento e a volta aos sócios.” 


Esse gatinho, arico no começo, logo se acostumou a minha presença. Pedi para ele posar para uma fotografia e pelo jeito ele aceitou. ^^


O presente de Dia Das Mães que a Karoline fez para a sua mamãe.

No primeiro plano, Jaqueline. Ao fundo, sentada no sofá, a esposa do Josias. Em decorrência de uma gestação de risco e de um parto prematuro, onde quase perdeu a vida, ela tem dificuldades para se comunicar e para se locomover. A falta de recursos e de assistência agrava ainda mais a sua situação. 

Josias em sua humilde residência.





segunda-feira, 2 de abril de 2012

Eu

Eu?! O que sou eu afinal? Sou incompleto, aos pedaços, retalhos e lembranças espalhados num corpo só. Sou incompleto, pela metade, e eu, o que sou afinal, nem sei mais. Nem digo nada que é pra não dizer nada, porque quem não tem nada pra dizer é melhor ficar calado. Meu coração dói, bate espremido bem doido no meu peito. Falta-me o ar. Sou incompleto. Sou um ser pela metade. Ando pelas ruas, preenchendo espaços vazios. Eu vejo o sol, eu vejo as nuvens, é tudo o que vejo. Os pássaros vivendo é tudo o que vejo. As pessoas indo e vindo apressadas, é isso o que eu temo. Ninguém nessa cidade pra parar junto comigo. Ninguém nesse mundo pra estar junto de mim. Pois eu sou pela metade. E na verdade nem sei o que dizer. Pensava ser mais criativo do que realmente sou. Pensei ser mais humano do que verdadeiramente sou. Pensei em tanta coisa que tanta coisa me fugiu, virei um quase-nada. Tenho medo. Tenho vergonha. E no fundo eu nem sei quem sou. Sou sozinho e nem sei pra onde eu vou.

De Passagem

Você não sabe, mas eu fui até a sua casa. Você nem imagina, mas pensei em chamar teu nome. Fiquei parado, imóvel. A janela do seu quarto apagada – “ela nem deve estar em casa”. Eu só estava de passagem e pensei em ficar. Quanto tempo faz que não nos falamos? Um mês?! Eu poderia dizer que passou um ano inteiro! E tudo o que eu mais queria era te ouvir. Ouvir tua voz. Sentir tua fala. Senti tua falta. Eu tinha tanto para te contar! Mas você não estava. Eu fiquei imaginando por onde você andava. A cidade - e os mesmos prédios de sempre, e as mesmas velhas casas a minha volta, e as ruas e as avenidas e todos os bares e praças. De algum modo queria encontrar você, assim, por acaso. Sem campanhias, sem interfones, sem palminhas na frente do portão. Queria te encontrar sem mais nem menos. Daríamos um oi, pediríamos um do outro e cada um seguiria seu caminho. Ainda guardo o recado que você me escreveu. Está sendo a oração que repito todos os dia. É o que me faz levantar da cama e ver o sol. É o que me fez sair de casa e vir até você. Você não estava. Sentirei tua falta. Quem sabe um dia a gente se encontra por acaso por aí.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Eu Estou Cansado, Doente, Quero Dormir E Quero Comer, Mas Não Sei Quando Vou Poder

'
Tem algo dentro de mim, não sei como nem sei onde, que repete teu nome toda noite.
E eu, deitado, imóvel, nem sei quando, nem sei como isso vai parar.
Se é que tem fim tudo isso, se é que tem fim...
Eu, perdido em devaneios, já não sou dono de mim.
É coisa estranha, o que se passa em minha cama. Livros, cartas, canetas e mais canetas. O violão fica no chão. A luz fica acesa. Meus olhos ficam fechados. Todo o meu ser espalhado pelo quarto. E eu nem sei se estou feliz, nem sei se infeliz estou. Só me resta essa certeza - ainda te carrego em pensamento, seja lá aonde for.