quarta-feira, 9 de julho de 2014

Numa Manhã de Quarta-Feira

Reparei em mim está manhã. Reparei que não reparo mais nas flores.
Porque minha alma já não é mais paz e amor, minha alma agora é guerra e paz.
Podem me chamar de indelicado, de covarde, de insensível. Não tenho mais olhos para as flores.
O que eu vejo são os cães agora, apodrecendo à beira da rodovia, seus corpos sendo esmagados dia após dia pelos motoristas desatentos, até já não existirem mais. Meus olhos são atraídos para os cantos escuros, para o esgoto despejado no rio, para garrafas de Coca jogadas na rua, para caixas de pizza deixadas numa calçada. Meus olhos não foram feitos para a luz. E eu, na minha solidão me arrasto.
Deixe as flores para os homens sensíveis, para os que acreditam no amor, para os que sonham, para os que tomam banho de chuva, para os que tocam violão na beira da praia. Deixe as flores para os felizes. Eu fico com o imundo, com o acabado, com o odiado, com o largado e abandonado. Deixe que eu fique com as dores, com os que sofrem. Minha atenção se volta para os que não são amados. Eu os amo. São iguais a mim.

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