Choveu o dia intero. A janela do meu quarto permaneceu praticamente fechada o dia todo. O sol, hoje, não conseguiu me visitar.
A cama, desarrumada, aguarda meu próximo sono. A coberta, bagunçada, parece formar uma cadeia de montanhas. E o lençol que a coberta não esconde, parece ser um pedaço de mar. E minha gata preguiçosamente dormindo em cima da praia.
Os livros jogados num canto deste minúsculo quarto, o minúsculo quarto que se pode abraçar. Alguns livros jogados; não todos porém. Alguns livros já aguardam a viajem; pobres livros que já perderam as esperanças de serem lidos por aqui; livros que terão que esperar um pouco mais para ganharem vida. Livros que guardei cuidadosamente dentro de caixas de papelão; as mesmas caixas em que você me mandou um pedaço do teu espírito.
No ar, músicas que me fazem lembrar você; músicas daquela mesma banda que você me apresentou tempos atrás. E o violão, morando ao lado do armário. Violão amigo que reproduz músicas que serão para sempre minhas e de mais ninguém. Pobre violão amigo; só meu violão mesmo para suportar minha magnífica e extraordinária falta de talento.
Ao lado da cama moram as tuas palavras. E no outro canto brilha os livros que tu me destes. Os filmes e os discos na gaveta não foram de modo algum por mim esquecidos. E no pensamento vive a lembrança de um dia que ainda não chegou. E em todo o quarto, vestígios de uma presença invisível.
Só falta você aqui pra completar isso tudo. Só falta você pra presenciar isso tudo e em tudo isso ver um pouco do meu mundo. Falta você. Falta você aqui pra completar teus vestígios.
Queria estar ai para completar os vestígios.
ResponderExcluirQueria estar contigo, mas sei que logo estarei. :)